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Na era das fake news, brasileiro engana todo mundo e causa incidente diplomático

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Um gaúcho de 31 anos, morador de Los Angeles, larga sua vida nos EUA e parte para a Venezuela em missão humanitária. Jonatan Diniz, fundador da ONG Time to Change The Earth, postava fotos de bebês venezuelanos subnutridos e pedia doações nas redes sociais da entidade. O objetivo era arrecadar dinheiro para distribuir brinquedos para as crianças vítimas do bolivarianismo de Maduro. Seria uma história de luta muito bonita de um jovem idealista, se não fosse uma grande farsa.

Poucos dias antes de viajar para a Venezuela, Diniz criou perfis nas redes sociais de uma ONG que nunca existiu e começou a pedir doações financeiras. Só com isso, enganou não só o baixo clero da direita brasileira nas redes sociais, mas também os governos brasileiro e venezuelano. A palhaçada do nosso compatriota causou um incidente diplomático justamente no momento que talvez seja o de maior tensão já vivido entre os dois países.

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O brasileiro foi pego pelo governo venezuelano e permaneceu 11 dias preso, causando comoção no país até ser libertado.

Depois de solto e deportado para os EUA, Jonatan gravou vídeo confessando que foi para a Venezuela com o objetivo de ser preso e, desse modo, divulgar sua ONG de mentirinha. MBL, Danilo Gentili, Sheherazade e outros expoentes da direita brasileira nas redes sociais abraçaram com entusiasmo a causa do brasileiro. Foi criada a hashtag #FreeJonatan e se iniciou uma campanha para que o Itamaraty tomasse providências para libertar nosso herói.

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Em época de fake news, ninguém se deu ao trabalho de fazer uma checagem básica das informações. A Gazeta do Povo, por exemplo, afirmou categoricamente que Jonatan era “integrante de uma ONG americana” – uma apuração jornalística que não resiste a uma googlada.

Não era necessário nenhum grande trabalho investigativo para desmontar a história. As primeiras fotos da tal ONG foram publicadas no Instagram no dia 21 de novembro de 2017, às vésperas da viagem de Jonatan. Ali, tudo tinha cheiro e cara de golpe. Nem a Grávida de Taubaté foi tão amadora na arte do golpismo.

Reprodução/Instagram

Qualquer um desses xeroque rolmes contemporâneos das redes sociais desvendaria com facilidade se não estivesse embriagado pela necessidade de cumprir uma agenda anti-esquerdista. Mas a história se encaixava como uma luva nos seus propósitos. A bola estava quicando na cara do gol, não tinha como não chutar.   O MBL foi o mais atuante na campanha #FreeJonatan e passou dias mobilizando seus militantes e pressionando o governo.   É interessante notar como o grupo que costuma atacar as agências de checagem de fatos e que tem seus próprios sites de fake news caiu na lorota do ativista humanitário. Depois que Jonatan admitiu que premeditou sua própria prisão e que tanto o governo quanto a oposição são culpados pela situação da Venezuela, o MBL publicou uma nota oficial chamando Jonatan de “charlatão” e o comparou a um psicopata. O personagem já não serve mais para os propósitos do grupo.   Quem também caiu como um patinho inflável da FIESP foi Janaína Paschoal, a nobre doutora que passou a se preocupar mais com os venezuelaninhos do que com os brasileirinhos desde a queda de Dilma. Ela usou o Twitter para denunciar o “sequestro do brasileiro” e o silêncio dos “defensores dos direitos fundamentais”.


O governo venezuelano também caiu no golpe. O deputado Diosdado Cabello, homem forte de Maduro,
anunciou na TV estatal que Jonatan foi preso por integrar “uma organização criminosa com tentáculos internacionais”. Segundo ele, o brasileiro fazia parte de uma “ação da CIA, feita em outras ocasiões e em outros países. Usam ONGs como fachada para atravessar o país, identificar objetivos estratégicos e financiar terroristas”.

Em entrevista ao Estadão, o brasileiro se mostrou nada politizado. Lançou platitudes que não condizem com um jovem preocupado com os rumos políticos da Venezuela. Afirmou ainda que nunca ouviu falar do MBL. Se conhecesse, talvez viria ao Brasil para salvar nossas criancinhas. Jonatan também comentou sobre seus problemas psiquiátricos:

“Foram seis internações. Quatro vezes em 2012 e duas em 2015. Fui internado porque tenho uma mediunidade. Eu estudo tudo o que é religião, cultura, filosofia. Eu sou médium.”

Jonatan não é nem médium, nem herói da direita brasileira, nem espião da CIA financiando a oposição venezuelana. É um rapaz que precisa de ajuda médica. Difícil acreditar que, sozinho, tenha mobilizado os corpos diplomáticos de dois países, grandes veículos de imprensa, a OAB e diversas entidades ligadas aos Direitos Humanos. Na era das fake news, um jovem com problemas psiquiátricos foi capaz de enganar todo mundo e causar um incidente diplomático dessa envergadura. Imagine o que não vai acontecer nas eleições…

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